sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uso de tecnologias de informação e comunicação no Ensino de Ciências e Biologia

A informática como ferramenta de ensino nem sempre pode ser correlacionada a mudanças ou inovações verdadeiras no processo de educação formal. Para que a informática provoque inovação deve se superar problemas e também identificar onde ela pode apresentar possibilidades novas. Os recursos da informática não ensinam e nem fazem aprender, mas constituem ferramentas pedagógicas capazes de criar um ambiente interativo que potencializa a aprendizagem podendo levar o aluno a investigar, levantar hipóteses, testá-las e refinar suas idéias iniciais construindo assim, seu próprio conhecimento.
Para que haja a implantação do computador na educação autores afirmam que são necessários quatro ingredientes: o computador, o software educativo, o professor e o aluno e apontam ainda dois tipos de perspectivas para o uso do computador, a instrucionista e a construtivista. 
A intervenção relatada no artigo Informática no ensino de biologia: limites e possibilidades de uma experiência sob a perspectiva dos estudantes.  Teve o formato de um mini - curso de dois meses foi aplicado a um total de 46 alunos de 2ª serie do ensino médio de uma escola pública no interior da Bahia. Para a coleta de dados foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: questionário pré e pós-intervenção, observação participante e entrevista do tipo grupo em foco. Os softwares utilizados: Durante a execução das atividades foram utilizados entre outros recursos da informática os programas: Expert SINTA, Enciclopédia Multimídia dos Seres Vivos e Microsoft Power Point.
A Maioria dos alunos deste estudo (80%) teve seu primeiro contato com a informática no mini-curso.  O conjunto das expectativas pôde ser distribuído, entre outras possibilidades em aquisição/melhoria do conhecimento; oportunidades profissionais; inclusão digital.
A pesquisa teve aspectos positivos e negativos.
Aspectos positivos: Durante o curso, os alunos apresentam relatos com idéias positivas ou favorecimentos a eles que foram agrupados em: inclusivos, estruturais, modo funcionais, atitudinais, estéticos.
Aspectos negativos: Os aspectos negativos manifestados pelos alunos convergiram para: pouco tempo, muito conteúdo, lidar com liberdade de escolha, desvio de atenção pela multiplicidade de recursos, dificuldades técnicas.
Em relação à aprendizagem de biologia, os alunos foram questionados em relação ao que aprenderam durante o mini-curso sobre a efetiva aprendizagem dos conteúdos, houve ganho em vários níveis e aspectos como informática e conteúdo, processo evolutivo, homem na classe mammalia entre outros.
Em relação ao papel do professor verificou-se entre os alunos a valorização da qualidade das aulas ministradas e o conhecimento do professor e a sua capacidade em diversificar as aulas. Ficou evidenciado que para assumir a perspectiva em que a prática pedagógica com o uso das novas tecnologias é concebida como um processo de reflexão-ação, o professor precisa ser capacitado para dominar os recursos tecnológicos, escolher os mais adequados aos objetivos pedagógicos e analisar os fundamentos dessa prática e as respectivas conseqüências produzidas em seus alunos. 
Não podemos ignorar mais a presença das tecnologias, na vida cotidiana dos nossos educandos. Embora estes não eduquem por si só, mas oferecem meios sofisticados de acesso ao conhecimento.
Em uma escola da rede publica estadual de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, durante as aulas de Biologia, é comum surgirem inúmeros questionamentos seguidos de calorosos debates. Ressaltamos que este é um dos principais papeis do professor: ser um questionador, um provocador, referente a assuntos polêmicos que circulam pelos mais variados meios de comunicação a que têm acesso diariamente e os que envolvem a Biologia, como por exemplo: Síndromes, Projeto Genoma, doenças, biologia molecular, células-tronco, entre outros. Surgiu-se então a idéia de construir um Blog, sendo possível enriquecer os relatos com links, fotos, ilustrações e sons. Foi uma estratégia que visou dar a palavra ao estudante e desenvolver a sua criatividade.
O projeto envolveu a pretensão de ampliação com participação dos demais professores, das diferentes áreas do conhecimento, para, por meio das múltiplas vozes, ampliar a competência argumentativa, o ouvir e o expressar, para além dos conhecimentos conceituais de cada componente curricular envolvido no debate. Nesta atividade ainda, proporcionou o conhecimento sobre dados básicos da informática, como: a digitação, o acesso a sites e manuseio da estrutura do programa, bem como a promoção da troca de saberes e a construção coletiva do conhecimento.
Na busca de umas restaurações curriculares, caracterizadas pelo desenvolvimento de novos papéis pelo professor e pela integração dos alunos, utilizando para isso as TIC inseridas no currículo escolar, o Colégio de Aplicação da UFRGS Desenvolve o Projeto Amora desde 1996. Através deste projeto professor e aluno são desafiados a buscar soluções para os problemas encontrados na construção do conhecimento, para isso envolvendo alunos de 5ª e 6ª série do Ensino Fundamental.
A construção de mapas conceituais teve grande aceitação, como a montagem do blog, isto está associado ao tempo dedicado e a seleção de informações. Todos os mapas conceituais foram construídos usando o software CmapTools, cada criança recebeu instruções inicias, e a partir daí foram produzidas versões seguintes usando métodos distintos.
O Blog utilizado foi o AçaíBlog, este possui diversas ferramentas que possibilitam ao alunos além dos registros diários, bem como a interação entre eles, já que todos tem acesso e é possível comentá-los, isto colabora para que as crianças sejam autoras do seu próprio conhecimento já que elas devem escrever com suas palavras o que compreenderam sobre as investigações daquele dia.
O curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Espírito Santo propõe o uso da Modelagem Computacional para o ensino de Biologia, neste caso focando no Crescimento Celular voltado para a síntese Protéica.
O módulo educacional proposto foi analisado por oito alunos matriculados na disciplina de Ciência Tecnologia no Ensino de Ciências, este módulo foi produzido a partir do programa de modelagem computacional STELLA, o qual permite a construção de modelos através da conexão de ícones que traduzem a evolução temporal do fenômeno em estudo. Este constrói um diagrama de fluxo representativo do fenômeno em estudo com relações causais entre as variáveis consideradas relevantes, e o sistema converte as informações em linhas de programa. Uma das vantagens do programa é a possibilidade de acessar níveis com informações diferenciadas.
Durante a analise os alunos deveriam desenvolver atividades de investigação, onde estes demonstraram dificuldade na compreensão da linguagem do software, sendo este fato caracterizado pelo fato do idioma da ferramenta não ser em português, assim os alunos produziram comentários e sugestões que viabilizaram a reestruturação do Módulo Educacional.
Outra tentativa de melhorar a aprendizagem dos alunos, foi o desenvolvimento de uma aplicação dos softwares: PaintBrush, PowerPoint e Word, nas aulas de Biologia, sendo uma disciplina dinâmica, com figuras, tabelas e esquemas. O principal objetivo era levar a informática para a escola e incentivar os outros professores a criarem e desenvolverem materiais didáticos utilizando outros softwares.
Nesta primeira parte foi realizada uma parceria realizada com os professores de Biologia e uma turma de vinte alunos do Ensino Médio de uma escola pública do Paraná. Realizou-se uma pesquisa sobre os conteúdos a serem abordados, sobre os computadores, sua capacidade e aplicativos disponíveis, decidindo-se pela utilização dos aplicativos PowerPoint para o desenvolvimento de um tutorial misto aberto, e Word e PaintBrush, para a elaboração de perguntas de exercício-e-prática. Onde as aulas teriam também a utilização de: som, vídeos, apresentações com Slide e hiperlinks.
Embora os softwares utilizados não tenham sido criados para fins educacionais, foram utilizados como ferramentas para a construção da aplicação educacional de biologia celular.
A aplicação de biologia celular produzida foi enriquecida com o acréscimo de figuras, fotografias, imagens, narrações, sons e vídeos educativos, visando facilitar a compreensão de alguns conteúdos, também para atrair a atenção dos alunos no ensino da biologia.
A partir disto temos que: 17 alunos obtiveram um aproveitamento entre 62% a 90 %, índice considerado muito bom. Os dados numéricos vêm confirmar que a utilização de metodologias diferenciadas, como no caso descrito softwares de computadores ajudam os alunos a assimilarem e se interessarem pela disciplina, sendo instrumentos de ensino, mas com responsabilidade a apoiada em questões pedagógicas, ressaltando que os melhores softwares são aqueles criados pelos alunos e seus professores.
A facilidade de publicação, visualização e o acesso às informações têm se tornado uma metodologia adotada paulatinamente pelos professores. Onde o professor aproveita esse conhecimento e mostra para os alunos como é possível aprender conteúdos curriculares com recursos às tecnologias.
 No contexto educacional observamos o uso de um recurso chamado “Podcast”, que vem sendo alvo de interesse de muitos docentes que reconhecem nessa ferramenta uma excelente oportunidade de transmitir conteúdos e assim ganhar tempo real para acompanhar os alunos de forma individualizada. O Podcast surge como uma tecnologia alternativa de auxilio ao ensino, tanto presencial como à distância.
Ao utilizar o podcast o professor alia informação, entretenimento, dinamismo e rapidez, ao próximo através do chamado ensino aprendizagem. O professor ao fazer uso do podcast, faz uso da também de sua capacidade de trabalho, de sua criatividade, empenho, pois este recurso associado ao seu esforço tem sido um trabalho que gera frutos.
Carvalho (2008), propõe uma taxonomia de podcast que incide em seis dimensões, a saber: tipo, formato, duração, ator, estilo e finalidade. Isso permite auxiliar os educadores no momento da criação de um podcast. A finalidade pode ser para informar, divulgar, motivar, orientar, etc, tudo depende do modo como o professor o coordena em suas aulas. Todas as disciplinas, curriculares e não curriculares, podem se beneficiar dessa ferramenta.
Para criar um podcast, não é necessário um conhecimento apurado de software; pois as ferramentas da web 2.0 foram criadas de modo a que qualquer utilizador, com o mínimo de conhecimentos os informáticos, possam usa –los em suas salas de aulas; mas, se o professor não se sentir à vontade para criar um podcast, sempre pode rentabilizar os podcast já existentes.
O podcast vem revolucionar o ambiente de salda de aula, pois as mudanças que se produzem na sociedade atingem a escola e condizem umas redefinições do papel do professor. O podcast, na sala provoca maiores interesses na aprendizagem dos conteúdos, permitindo melhor compreensão do conteúdo.
O processo de integração das TIC nos currículos de ciências sofre com a falta de materiais adequados para desenvolver um trabalho prático com os alunos. E os laboratórios virtuais são recursos para simular as condições de trabalho de uma aula de laboratório. Segundo Marta Lopes e Juan Morcillo uma característica que irá caracterizar empresas do século XXI é a integração das TIC para os campos profissionais. E a educação não pode ficar fora dessa realidade.
Os professores estão tendo atitudes positivas em relação à integração dessas tecnologias na sala de aula. A grande maioria reconhece a necessidade de desenvolvimento profissional nessa área. Mas não deixa de ser um desafio pra os professores.
Pesquisas feitas em diferentes regiões (PROFORTIC, 2005, Bo e Saez) apontam como principais obstáculos percebidos pelos professores: a escassez de recursos falta de formação de professores, falta de materiais e modelo de currículo e a falta de tempo e motivação. Mas para que esses obstáculos sejam vencidos e haja uma mudança na metodologia de ensino, é necessária uma dedicação pessoal dos professores.
A Internet é indispensável para o desenvolvimento de novos modelos de ensino, pois é uma ferramenta que permite o acesso a uma riqueza de informações. A necessidade de desenvolver seu próprio material digital provoca ansiedade e frustração aos professores por que faltam as formações exigidas.
Mas a contextualização desses materiais pode ser adaptada aos diferentes contextos educativos e para diferentes fins. O professor responsável pelo ensino deve incorporar esses materiais em suas atividades e usar estratégias de ensino que julgar conveniente.
Algumas das atividades com base na utilização das TIC que podem ser feitas nas aulas de ciências são: ferramenta de apoio para explicações, desenvolver o trabalho dos alunos, pesquisar informações na Internet ou enciclopédias virtuais, desenvolvimento de tarefas de aprendizagem através do uso de materiais, simulações em software especifico de formação, experiências virtuais, questionário de auto-avaliação.
Para trabalhar nos processos da ciência, deve sublinhar-se, dentro do software específico, laboratórios virtuais, permitindo desenvolver os seus próprios objetivos educacionais do trabalho experimental.
As simulações são excelentes ferramentas para replicar fenômenos naturais e melhorar a compreensão. Os alunos interagem com a simulação para entender melhor sistemas, processos ou conceitos, explorar fenômenos reais, verificação de hipóteses ou encontrar explicações. A simulação não é um substituto para a observação e a experimentação dos fenômenos de um laboratório real, mas pode adicionar uma nova dimensão válida para a investigação e compreensão da ciência.
Não há muitos programas disponíveis on-line para o ensino de biologia. Há, sim, muitas páginas contendo simulações útil para o ensino de biologia, mas em que a interatividade é muito limitada.
A aplicação de uma webquest sobre conceitos de genética molecular em turmas do terceiro ano do ensino médio é um exemplo de possíveis interações entre alunos e tecnologias nas aulas. Tem como objetivo investigar o comportamento, aceitação e desempenho dos alunos frente à utilização das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) bem como fazer uma reflexão sobre a possibilidade de interação e a troca de experiências entre alunos e professores nesse tipo de atividade.
 As webquest têm demonstrado ser uma estratégia didática efetiva para introduzir alunos e professores no uso educativo da Internet estimulando a investigação e o pensamento crítico. Boas webquest têm demonstrado, através de atividades cooperativas, aprendizagens bastante significativas e motivadoras para o alunado.
Instrumento novo é para produzir efeitos. O computador é um instrumento novo na área da educação que pode, e deve auxiliar na melhoria do ensino, fornecendo conhecimentos e proporcionando novos caminhos para a aprendizagem (Marques et al., 2000). Porém, a introdução das novas tecnologias na educação não pode ser vista como um “milagre” que resolverá todos os problemas de aprendizagem e sim como um recurso que poderá diversificar as atividades destinadas aos alunos e possibilitar melhorias na educação como uma ferramenta auxiliar do professor.
Os professores devem estar motivados para ingressar neste novo processo de ensino e aprendizagem, nesta nova cultura educacional, onde os meios eletrônicos de comunicação são a base para a partilha de ideais em projetos colaborativos e cooperativos.  
Integrar a utilização da Internet no currículo de um modo significativo e incorporá-la às práticas de sala de aula, numa aprendizagem colaborativa e cooperativa, poderá fornecer um contexto autêntico em que alunos desenvolvam conhecimento, competências e valores. Nesse contexto, tem-se como exemplo a utilização de webquest.
Na metodologia webquest é necessário que as tarefas sejam criativas. Nessas atividades, os alunos devem ter participação ativa colocando-se no papel de cientistas, inventores, artistas.
Ensinar com a Internet será uma revolução, se mudarmos os paradigmas educacionais, se ensinar e aprender se tornar um processo mais participativo e compartilhado em que a Internet tenha um papel de nos ajudar como uma ferramenta auxiliar na práxis pedagógica. “Caso contrário, a utilização da Internet será um paliativo, marketing ou meio de comunicação mal aproveitado como tantos que temos à disposição” (Moran, 1998 apud Lampert, 2003).
O acesso e capacitação de professores e alunos na utilização pedagógica das tecnologias multimídias e digitais, se bem utilizados, podem contribuir significativamente a serviço do progresso humano, desde que usada com bom senso e sabedoria.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

- ANDREIS, Iara Vanise; SCHEID, Neusa Maria John. O uso das tecnologias nas aulas de biologia. Vivências:

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- MEDEIROS, Alexandre; MEDEIROS, Cleide Farias de. Possibilidades e limitações das simulações computacionais no ensino da física. Revista Brasileira de Ensino de Física, São Paulo, v. 24, n. 2, p.77-86, jun. 2002.

 - MULINARI, Mara Hombre; FERRACIOLI, Laércio. A utilização da tecnologia da informação no ensino de biologia: um experimento com um ambiente de modelagem computacional. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, Ponta Grossa, v. 1, n. 1, p.98-115, 2008.

- RAZERA, Julio César Castilho; BATISTA Rosângela Miranda Silva; SANTOS, Roque Pereira. Informática no ensino de biologia: limites e possibilidades de uma experiência sob a perspectiva dos estudantes. Experiências em Ensino de Ciências, Porto Alegre, v. 2, n. 3, p.81-96, 2007.



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